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Thomas Soares | A Revolução Energética

A Revolução Energética

Por Thomas Soares

Nasci em 1965. Esta geração vivenciou várias Revoluções (com R). Mesmo sem citar as de cunho político, econômico, cultural e social ainda restam Revoluções como a das comunicações, eletrônica digital, Internet, redes sociais, etc. Há algumas décadas há uma outra Revolução que mesmo em estado latente já é claramente perceptível aos que tem olhos para ver. Trata-se da Revolução Energética, termo cunhado por Brian O’Leary em seu livro “The Energy Solution Revolution” ainda sem tradução para o Português.

O modelo energético que sustenta nosso mundo pósmoderno é patológico e insustentável. Prova disso são os inúmeros problemas que surgem de estruturas centralizadas como a do petróleo, nuclear, hidroelétrico, etc.

Nos tempos dos grandes computadores “main frame” a estrutura computacional era centralizada. Era preciso acessar o “grande” computador enviando os cartões perfurados com o programa e os dados (sim, eu perfurei cartões !). Depois com os terminais de acesso remoto (teclado e monitor) ficou muito mais fácil usar o “main frame”. Com a revolução dos “Personal Computers” as pessoas tiveram acesso a sua própria fonte de poder computacional. Isso não tornou obsoletos os grandes computadores mas permitiu que cada um tivesse seu próprio acesso a uma certa potencialidade computacional individual.

A Revolução Energética propõe exatamente isso na questão da geração e utilização de energia em geral. Obras faraônicas como Itaipu e Angra ou grandes refinarias de petróleo já estão obsoletas. Mas ainda persistem não só por inércia tecnológica mas principalmente por forte pressão de interesses econômicos. Pressão que tem suprimido diversas inovações nos últimos quarenta anos (pelo menos). É como se alguém tivesse comprado todas as patentes e ideias da Apple e da IBM de modo a impedir o surgimento dos computadores pessoais (PCs), mantendo-nos atrelados a uma estrutura centralizada de grandes computadores usados apenas remotamente…

Neste contexto, um dos exemplos mais simples e poderosos da Revolução Energética é o que trata dos combustíveis para motores a combustão interna. E nesta linha de atuação a água surge como uma poderosa fonte de energia, limpa, eficiente e (principalmente) de obtenção descentralizada.

Através da separação das moléculas H2O em seus componentes hidrogênio e oxigênio se obtém gases. Estes gases podem ser usados como catalizadores na queima de qualquer tipo de combustível hidrocarboneto. Motores a gasolina ou álcool não passam de 30% de eficiência. Com diesel é um pouco melhor mas a poluição surge como grave problema, principalmente nas grandes cidades.

Com a pirólise ou eletrólise a quebra das ligações covalentes entre hidrogênio e oxigênio são rompidas e isso oferece muitas muitas potencialidades ! Não estamos falando de veículos movidos apenas com os gases obtidos da água… O que propomos é a produção, embarcada, de um gás catalizador que oferece economia de combustível que vai de 10 a 30% e uma redução na emissão de poluentes em mais de 80%.

Um dos exemplos práticos sobre um sistema usando pirólise (quebra da molécula de água por calor) foi o caso Chambrin. Divulgado em várias matérias no jornal Zero Hora durante o ano de 2012. Pessoalmente prefiro a eletrólise (separação da água por eletricidade). Há vários anos realizo pesquisas do próprio bolso, junto com amigos, sobre sistemas que produzem o gás hidroxi (hydroxy em Inglês) ou HHO ou gás de Brown, pois em 1974 Yull Brown publicou os primeiros resultados sobre a produção do gás HHO usando corrente contínua.

Este tipo particular de eletrólise não produz apenas H2 e O2 mas também hidrogênio monoatômico e talvez até oxigênio monoatômico. Porém isso ainda não está totalmente elucidado pois ninguém fez estudos rigorosos sobre o assunto e publicou resultados. Mas é certo que não se trata apenas da mistura dos gases H2 e O2, pois uma chama de HHO consegue sublimar tungstênio e isso ocorre a partir de 5815 graus célcios !

Um sistema gerador de HHO embarcado em um veículo com motor 1.0 gera ao redor de 600ml por minuto de HHO usando ao redor de 11 amperes e os 13 volts do alternador. Então o HHO é injetado na admissão de ar do motor, proporcionando combustão eficiente e limpa do hidrocarboneto. Naturalmente que o gás carbônico (CO2) continua a ser produzido, algo inerente a toda oxidação de hidrocarbonetos. Porém problemas como NOx, CO, O3 e hidrocarbonetos particulados (fuligem) são muito reduzidos.

Mas isso não é tudo! O mesmo gás HHO pode ser usado em situações não embarcadas, ou seja, em sistemas para soldagem e corte de metais, para aquecimentos de diversos tipos, para acabamento de superfície de plásticos, etc… A geração do HHO não embarcado só demanda água e eletricidade 110 ou 220 volts. Surge uma nova situação, muito mais segura e descentralizada do que nos casos em que se utilize fontes de energia como o gás acetileno, propano, GLP, etc.

No fim do artigo ofereço algumas referências sobre a tecnologia do HHO mas é muito simples fazer buscar por este termo (HHO) em buscadores como Google, Youtube, etc… onde se pode verificar milhares de relatos de pesquisadores que já usam diariamente essa tecnologia em seus veículos. Entretanto, isso é tão somente um processo paliativo durante a transição da Revolução Energética. É uma tecnologia que aproveita as frotas de veículos já em uso. No futuro o que nos espera são outras inovações, como por exemplo veículos totalmente elétricos usando tecnologias como a do motor elétrico Keppe, que é 80% mais eficiente do que qualquer motor elétrico convencional.

Concluindo, a Revolução Energética tem lutado contra forças colossais. Ela não surge como a Internet que criou seu próprio espaço existencial, facilmente tornando obsoletas tecnologias baseadas em papel como cartas, fax, revistas, livros, etc… A lógica supressora das mega empresas do setor energético precisa ser substituída pelas premissas da descentralização na geração e maior eficiência na utilização da energia. O gás HHO oferece potencialidades imprevisíveis pois age na infraestrutura fundamental da civilização: energia. Notadamente devem ser incluídas possibilidades quanto à Tecnologias Sociais, por exemplo, qualquer um pode ter, em casa, um soldador de metal muito poderoso e seguro, usando apenas água e eletricidade. Artesanatos e pequenos processos de manufatura se tornam acessíveis assim como os PCs deram às pessoas poder computacional doméstico.

Referências:

http://knol.gohere.nl/waterfueledcar.html
http://www.hydroxygas.com.br
http://hidrogenius.wordpress.com
http://www.greenfuelbooster.com
http://www.panaceabocaf.org/hydroxygas.htm
http://hhogastechnology.weebly.com/epochproducts.html

Thomas Soares é engenheiro, militante pela Revolução Energética, vegetariano e pesquisador sobre permacultura. Possui graduação em Eng. Metalúrgica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e mestrado em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais – Departamento de Materiais (1994). Tem experiência na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, com ênfase em Propriedades Físicas dos Metais e Ligas. Trabalha como consultor em Tecnologia da Informação, redes de computadores, segurança e infra-estrutura em geral. Pesquisa sobre fontes alternativas de energia.

 

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Publicado em: março 29, 2013