Livro | Por que fazer uma Bioconstrução?

Por que fazer uma Bioconstrução?

Nossa sociedade atual vive um momento único, com abundância de energia gerada pelo petróleo. Há alguns séculos atrás a vida na Terra era muito diferente, embora mais trabalhosa e difícil, a humanidade estava em equilíbrio com a natureza. Com a descoberta do petróleo, a vida diária da humanidade mudou drasticamente, em pouco tempo.

Essa mudança trouxe muitos avanços, sendo uns positivos e outros negativos. Atualmente nos encontramos na beira de um colapso ambiental e energético. A extração do petróleo, que é um recurso não renovável, está decaindo enquanto a demanda por ele aumenta a cada dia. Embora este assunto não seja divulgado (por diversos fatores, principalmente econômicos), em poucas décadas não teremos mais esta fonte de energia.

Especula-se muito quanto a fontes alternativas de energia, como o biodiesel, energia eólica, hidráulica, solar etc., ainda não temos uma matriz energética que seja capaz de suprir a demanda crescente de nossa sociedade de consumo.

As casas construídas atualmente são totalmente dependentes das energias exteriores (elétrica, gás, água, etc.). Apesar de haverem pesquisas e soluções simples de iluminação passiva, ventilação cruzada, saneamento ecológico, captação de água da chuva etc., pouco se aplica na prática da construção civil. E é claro, isso tem uma raiz profundamente econômica, gerando um monopólio das grandes indústrias e governos, deixando as pessoas cada vez mais dependentes. Junto com isso analisamos o modelo de educação, onde o conhecimento é totalmente fragmentado e desconectado, aumentando a alienação coletiva e, consequentemente, a dependência.

A Bioconstrução vem demonstrar que é possível fazer uma casa confortável, com iluminação natural, sistema de aquecimento solar e/ou a lenha (do ambiente interno da casa e da água), ventilação cruzada (observando os ventos predominantes), estratégias utilizando da vegetação para fazer sombras, quebra ventos, produzir alimentos saudáveis em pequenos locais, captar água da chuva, pois a água que vem das redes públicas estão carregadas de substâncias tóxicas (cloro, flúor, resíduos de agrotóxicos, hormônios femininos e sabe-se lá o que mais…). Ou seja, a Bioconstrução não se limita apenas a construção da casa em si, mas nos faz refletir muitos valores e conceitos de nossa “sociedade moderna”.

Quem será que inventou a “historinha” dos 3 porquinhos, onde o único que se dá bem é o que tem a casa de tijolo e concreto?

Esse ressurgimento de técnicas tradicionais/ancestrais se faz urgente nos dias atuais e em um futuro muito próximo, onde as palavras chaves serão a AUTONOMIA e a COOPERAÇÃO MÚTUA. Mas não devemos ver esse retorno de técnicas ancestrais como um retrocesso ou como uma vida sofrida, mas sim como a união do conhecimento ancestral com as descobertas das ciências modernas em uma síntese do que cada um tem de melhor, rumo a uma sociedade mais humana e integrada com a natureza.

A PERMACULTURA é uma ciência que une o antigo com o moderno nesta síntese, e desde os anos 70, quando surgiu na Austrália, vem resgatando e desenvolvendo técnicas e modelos comprovados que são muito eficientes para suprir as necessidades para uma vida humana e ambiental saudáveis, englobando assuntos de Agricultura Sustentável e Segurança Alimentar, utilização adequada da Água e Saneamento Ecológico, Bioconstrução, fontes de Energias Renováveis e aspectos sociais (ecovilas rurais e urbanas).
Trabalhando dentro da lógica de ajuda mútua com a natureza e as pessoas o trabalho se transforma em algo que preenche o nosso íntimo, ou como diria Johan Van Legen (autor do Manual do Arquiteto Descalço), “O trabalho deixa de ser trabalho e se transforma em deleite!”
Grande inspiração, mas que só poderá ser comprovada na prática!

Atualmente as palavras “sustentabilidade” e “ecologia” estão na moda. Isto tem gerado uma distorção do que é realmente a “sustentabilidade”, pois acabou sendo incorporado para agregar “valor” a produtos e/ou serviços. Muitas vezes, através de uma análise profunda de todo o ciclo de produção ou do modo de atuar da empresa, vemos que não tem nada, ou quase nada de sustentável.

Realmente, nos dias atuais fica muito difícil fazer uma casa que seja 100% sustentável, visto que os produtos disponíveis no mercado da construção civil são, em geral, muito poluentes e tóxicos. Além disso, são produzidos a grandes distâncias dos locais de construção. Mas podemos reduzir os danos drasticamente!

“Hoje em dia com as facilidades da “vida moderna” podemos comprar tudo o que queremos para nossa construção, no comércio local, mas estes materiais são geralmente extraídos em grandes quantidades, de locais que podem estar a mais de 4000 km de distância da obra, causando grande impacto, muitas vezes sem controle.
Imagine que sua obra pode estar ajudando a transformar em deserto uma floresta, afetando pessoas que não tem relação alguma com tais construções.
Retirando-se materiais locais para um pequeno número de pessoas, poderemos controlar tal impacto.”
*Texto extraído da Cartilha de Eco-Construções – Marcelo Bueno

“As construções convencionais (construção civil) são responsáveis por aproximadamente 40% dos materiais e recursos gastos por ano no mundo! Isto é uma prática insustentável.
Além de gerar habitações tóxicas. Verniz, tintas industrializadas, madeiras tratadas com produtos químicos etc., geram um ar carregado de substâncias voláteis que ficam no interior dessas casas “modernas”.
Nós temos toxinas como o álcool, acetonas, tricloroetileno, benzina e formaldeídos em nossas cozinhas, salas e quartos.”

Construção Civil:

– 1/4 da madeira extraída;
– 2/5 da energia consumida;
– 1/6 da água potável.
*Dados da cartilha “Soluções Sustentáveis – Construção Natural / Ecocentro IPEC 2007.

Princípios de Bioconstrução:

-Construção de baixo impacto ambiental ou impacto positivo;
-Observação do local em que se deseja construir;
-Isolamento nos lados mais ventosos e chuvosos (conservação de energia);
-Iluminação passiva / aberturas maiores para a face norte (face do sol);
-Habitações saudáveis (não tóxicas);
-Utilização de materiais locais;
-Autoconstrução e/ou mão de obra local;
-Mutirão – celebração – ajuda mútua;
-Tratamento adequado dos resíduos.

VALORIZANDO A ARQUITETURA TRADICIONAL

Desde a evolução da industrialização no século XIX, as técnicas de construção tradicionais vêm sendo abandonadas. As pessoas com poucos recursos financeiros têm menos acesso aos produtos industrializados e seguem fazendo o uso das técnicas antigas, como o adobe, o pau-a-pique e a taipa de pilão.

Estas técnicas são associadas à população de baixa renda, o que gera o preconceito que permanece até os dias de hoje.
Em muitos lugares somente as gerações mais antigas têm o conhecimento das técnicas tradicionais de construção. A arquitetura tradicional sempre construiu de acordo com o clima e com o ambiente natural, garantindo moradias agradáveis. Com a industrialização isto vem sendo perdido. Em alguns programas de habitação social, por exemplo, é construído o mesmo tipo de casas no sul e no norte do Brasil, sem o mínimo respeito à cultura e às necessidades das pessoas, e sem considerar as grandes diferenças climáticas que temos ao longo do país.

Devemos ter o cuidado de transmitir as técnicas tradicionais às gerações futuras, do contrário esta sabedoria será perdida.

Curiosidades

– 1/3 da população mundial vive em casas de terra crua;
– Shibam é a cidade mais antiga construída com Taipa de Pilão;
– A mesquita de Djenné – Mali, é a maior construção de terra no mundo;
– A Muralha da China foi construída, em boa parte, com Terra Crua.

Desvantagens da construção com Terra Crua:

-A terra não é um material padronizado, necessitando fazer testes com o solo disponível, para agregar aditivos caso necessário, e se obter uma mistura resistente ao tipo de construção, antes de começar a obra;

– Construções com terra são mais suscetíveis às águas. Deve-se evitar que a água da chuva, por exemplo, escorra pela parede. Isto pode ser evitado com telhados que tenham beirais de pelo menos 80cm.
*Porém, uma parede com um bom reboco de terra estabilizada corretamente sofrerá pouco com as intempéries.

– A terra ao secar sofre uma refração, que causa rachaduras.
Esta retração oscila entre 3 e 12% em técnicas com terra mais úmida, e de 0,2 a 0,4% em técnicas com terra quase secas.
Posteriormente deve-se aplicar o reboco, que cobre estas rachaduras.

Vantagens da construção com Terra Crua:

– A terra crua regula a umidade interna das habitações. O barro tem maior capacidade de absorver e perder a umidade que os demais materiais de construção.
A umidade dentro de uma casa de barro costuma ficar em torno de 50%, oscilando esse percentual em aproximadamente 5 a 10% dependendo da estação do ano.
O nível de umidade considerado ideal para a saúde é de 40 a 60%. Menor que 40% haverá muita partícula de poeira em suspensão e acima de 60% começam a se proliferar fungos no ambiente.

– O barro estabiliza a temperatura no ambiente interior. A terra armazena calor (massa térmica) durante sua exposição aos raios solares e depois perde lentamente quando a temperatura exterior estiver baixa.

Em locais onde ocorre grande oscilação de temperatura entre o dia e a noite, o barro é uma excelente proteção.

No verão a casa é fresca e no inverno o barro isola bem do frio exterior.

– Por ser natural, a terra não contamina o ambiente e economiza energia, utilizando apenas 1 a 5% da energia despendida em uma obra similar de concreto e tijolos cozidos.

– As construções com terra podem ser demolidas e reaproveitadas múltiplas vezes.

– Construções de baixo custo. A construção com barro é relativamente simples, facilitando a auto-construção. Utilizando-se ferramentas simples e materiais não tóxicos, toda família pode participar da obra. As crianças adoram!

– O barro preserva a madeira e outros materiais orgânicos.
As madeiras que ficam “dentro” da parede de barro se preservam por muito mais tempo, devido ao seu baixo equilíbrio de umidade que varia de 0,4 a 6%. Os insetos e fungos, responsáveis pela decomposição de materiais orgânicos, necessitam de um mínimo de umidade em torno de 14 a 20%, deste modo não conseguem destruir estes materiais.

Identificação da terra:

A terra é basicamente uma combinação de areia, argila, silte, pedras e matéria orgânica.

As camadas superficiais do solo contêm quantidades maiores de matéria orgânica e não são apropriadas para construção.

Utilizamos o subsolo para construir.

Função de cada partícula:

ARGILA- Coesão entre as partículas, ela que mantém todas as partículas da terra unidas, sejam areias ou siltes;

AREIA- É a partícula resistente, aquela que trabalha os esforços de compressão, ou seja, a que sustenta a estrutura. Porém sozinhos, os grãos de areia não ficam unidos, função cumprida pela argila;

SILTE- sem função estrutural, contribui no preenchimento de espaços vazios, dada a grande diferença de tamanho entre a areia e a argila;

MATÉRIA ORGÂNICA- nas terras usadas para construção NÃO DEVE SER EMPREGADA, pois pode decompor-se dentro da estrutura, formando partes ocas dentro da mesma e diminuindo a resistência estrutural.

Outros materiais que podem ser adicionados ao barro:

Palha- é adicionada a terra para aumentar a resistência às tensões.
Funciona de forma similar aos vergalhões de ferro no concreto.
Também serve como isolante térmico e micro junta de dilatação.

*Palha de leguminosa é ruim, pois possui muito nitrogênio (degrada rápido). Palha boa é de gramínea, que contém sílica.

Esterco- utiliza-se preferencialmente o esterco de vaca, mas pode-se usar também o esterco de cavalo e/ou de búfalo. No esterco fresco existe uma bactéria que ajuda na fermentação, mas a acidez residual do estômago, contido no esterco, não deixa entrar em processo de putrefação. Com o processo de fermentação, ocorre um alinhamento das partículas de argila, que após a secagem confere uma excelente resistência à abrasão e certa impermeabilidade. É considerado o cimento natural. Depois de seco, e mesmo durante o manuseio, não apresenta odor desagradável.

Sumo de cactos (Palma)- impermeabilizante natural.

Também confere maior aderência ao reboco e aumenta a união das partículas no barro.

Modo de fazer o sumo de cactos:

Um balde é o suficiente para fazer algumas paredes.

Deve-se utilizar luvas e ter muita atenção com os espinhos do cactos.

Depois de coletado, devemos picar o cactos e colocar em um balde, cobrindo com água.

Depois de 2 dias está pronto para ser misturado na massa do barro.

Deve-se coar antes de misturá-lo à massa.

O mesmo cactos picado pode ser utilizado diversas vezes, adicionando mais água no balde até que pare de liberar sua viscosidade, sobrando apenas a casca verde do cactos.

Testes de reconhecimento do solo

Teste de retração

Neste teste observamos como o barro se comporta, em função da retração, de modo a sabermos o percentual ideal de areia na mistura.

Alguns pontos importantes:
As partículas de argila quando misturadas com água tendem a “inchar” (dependendo do tipo de argila esta é mais ou menos expansiva) e após a secagem da parede ou reboco aparecem fissuras, causadas por essa volta ao tamanho normal das partículas de argila.

Já as partículas de areia não aumentam de tamanho em contato com a água.
Se a terra é muito argilosa a tendência é ocorrer grande quantidade de rachaduras, que é estruturalmente ruim, e no caso de um reboco a tendência é de que se desprenda da parede em pouco tempo.

Se adicionarmos um pouco mais de areia nesta terra argilosa veremos que as rachaduras serão menores. Mas também temos que cuidar para não adicionar areia em excesso, nesse caso a mistura não racha mas se esfarela facilmente, o que também não é interessante.

O melhor jeito de saber a proporção ideal de areia/argila de um solo específico é fazer o teste de retração, e observar os padrões de rachaduras, após a secagem das amostras.

Como fazer:

Itens:

-solo que queremos testar;
-areia;
-água;
-caderno de anotações e caneta;
-desempenadeira ou colher de pedreiro;
recipiente (pode ser pequeno, um copo por exemplo) para servir de medida.

Escolher uma parede (que não pegue chuva diretamente) para fazer o teste.
Antes de aplicar o barro na parede, com as misturas que queremos testar, devemos molhar a parede, para melhor aderência.

Fazer diferentes proporções de solo + areia+ água (utilizando o recipiente medidor) e aplicar em uma pequena parcela da parede, podendo ser em uma área de aproximadamente 20x20cm e espessura de 1 a 2cm.

Aplicar com a desempenadeira ou colher de pedreiro.

Anotar todas as proporções testadas e numerá-las.

Deixar secar, em aproximadamente 24h, e observar o padrão de rachadura.

Sabemos que uma amostra não serve para nada quando esta apresentar um padrão de rachadura que forma células, o mesmo tipo de rachadura que ocorre em fundo de lagos quando secam.

-> O ideal é a mistura que apresenta rachaduras pequenas e isoladas.

Exemplos de misturas para testes:
-Teste 1- 3 partes de terra;
-Teste 2 – 2 partes de terra + 1 parte de areia;
-Teste 3 – 1 parte de terra + 2 partes de areia.

*Evite colocar muita água. O ideal é que a mistura fique no ponto de massa de pão.

*Os teste do canto superior esquerdo e o inferior direito (foto acima) apresentam um bom padrão de rachaduras.

*O teste que não apresenta rachadura certamente se desmanchará com facilidade, pois falta argila.

Costumamos usar a metade destas misturas/testes para fazer este pequeno reboco/teste e a outra metade fazemos uma “bolacha” de barro, que deixamos secar por uma semana, na sombra e abrigado da chuva, e depois de seco fazemos o teste de resistência do material, quebrando-o.

Uma bolacha que quebra muito fácil e ao ser comprimida entre os dedos se esfarela facilmente falta argila e uma bolacha que demora a quebrar certamente conterá muita argila, e deste modo, a mesma amostra no reboco da parede irá apresentar grandes rachaduras.

Neste teste da bolacha o melhor resultado será o que quebra, mas não esfarela facilmente. Devemos comparar estes dois testes (reboco e bolacha) para obter o melhor traço para a mistura de barro.

Para a técnica de Pau a Pique, que utilizamos em nossas Bioconstruções do Espaço Naturalmente, costumamos usar em torno de 15 a 25% de argila e o restante de areia na mistura, adicionando aproximadamente 2/3 de palha em ralação ao volume de barro.

-Teste de tato e visual

Tamanho das partículas: grãos de areia são os únicos que podem ser visualizados a olho nu, portanto, muitas vezes é possível reconhecer um solo arenoso simplesmente com a observação, bastando reconhecer a proporção dos grãos de areia;

Cor da terra: terras vermelhas e amarelas costumam ser argilosas, porém o mais importante a verificar são as terras escuras, quase pretas, muito marrons, que são ricas em matéria orgânica e não devem ser utilizadas para construção;

Cheiro: a terra deve ser inodora. Se apresentar leve cheiro de mofo, esta terra possui matéria orgânica e não deve ser utilizada para construção. Recomenda-se umidificar levemente a terra, se esta estiver muito seca, para realizar este ensaio;

Lavado de mãos: espalhar uma amostra de terra molhada nas mãos e deixar que a mesma seque naturalmente. Bater uma mão contra a outra e observar como a terra se desprende. Se toda a terra sai da mão com facilidade, esta é uma terra arenosa, se ficar um talco na mão, a terra é siltosa, e se a terra manchar a mão, sendo necessário lavá-la para retirar a mancha, esta é uma terra argilosa.

Testes de comportamento:

Queda de bola: analisa-se o aspecto do espalhamento das partículas em função do tipo de terra. Toma-se um punhado de terra com umidade mínima para que se faça uma bola de 5 a 8 cm (não pode estar encharcada, plástica). Deixar a bola cair em uma superfície plana e lisa, sem oferecer impulso, de uma altura de mais ou menos 1m.

Terras argilosas achatam, quase não apresentam fissuras, ou apenas algumas pequenas nas laterais.

Terras arenosas espatifam e suas partículas se desprendem, ou seja, a bola desmancha.

Retração Linear: numa fôrma alongada, de medidas similares a 40X5X5, colocar a amostra da terra a ser analisada em estado úmido (umidade mínima para que haja coesão), comprimindo a para que se preencha bem a fôrma e para que fique homogeneamente distribuída. Aguardar alguns dias, até que amostra seque completamente e observar: se houver retração considerável e nenhuma rachadura, terra argilosa.
Se houver rachaduras, ou seja, se a amostra partir em um ou mais pontos, terra arenosa.

Teste de sedimentação:
Retira-se uma amostra do solo, coloca-se em um recipiente transparente e cilíndrico (pote de vidro de + 500g), preenchendo 1/3 do mesmo com a amostra e completando os outros 2/3 com água. Misturar bem, sacudindo por aproximadamente 30 minutos. E depois se deixa repousar até que a água esteja totalmente transparente. Com este teste é possível observar a
proporção de argila, areia e silte que compõe o solo. O mais pesado, a areia, é a primeira a depositar, ou seja, as partículas maiores ficam na parte mais baixa. A argila, mais leve e menor, fica um bom tempo em suspensão na água, é a última a depositar, e portanto, a camada de cima.
Obs: para este teste ficar o mais próximo da composição real do solo, o recipiente com a amostra deverá ser sacudido por no mínimo 30 minutos, caso contrário pode apresentar erros, visto que as partículas menores (argila) podem ficar “grudadas” nas partículas maiores (areia) e assim se obtém uma amostra que não condiz com a realidade.

Evitar colocar sal para sedimentar mais rápido.

História

“A história da construção com terra, a grande variedade das técnicas, e a diversidade de formas passíveis de realizar são deveras surpreendentes. Foi com barro que foram realizadas as primeiras cidades e as primeiras pirâmides, os zigurates. É de terra a maior pirâmide do mundo, a do Sol, em Teotihuacam. Terra foi um dos principais materiais com que se construiu a muralha da China, a maior construção realizada pela humanidade.

Durante quatro quintos da história de nosso país, a terra se constituiu no material de construção mais importante.
Terra é um material brando, que não requer altos investimentos para ser trabalhado. As próprias mãos são suficientes. É muito barato. Aldeias erguidas dois mil anos antes da pirâmide de Quéops ainda estão em bom estado de conservação na Núbia. Os arautos da industrialização desde longa data vêm procurando desqualifica-la como material de construção e, exatamente o contrário, os graves problemas ecológicos criados pela industrialização é que estão ressuscitando as velhas técnicas, as quais tem se mostrado como as mais viáveis em um mundo ecologicamente equilibrado.”
(Günter Weimer – Arquitetura Popular Brasileira)

A utilização da Terra Crua como material de construção é muito antiga. Há indícios arqueológicos que datam de mais de 10.000 anos, e que nos dão a entender que a utilização deste material surgiu em cada região de forma instintiva e independente, de acordo com o tipo de solo, clima e local.

-Egito: Adobe
Desenvolveu-se a construção de abóbodas e cúpulas, sem a utilização de formas;

-Leste da África: Taipa de Mão e moldagem direta.
Influência das civilizações vindas do oceano Índico;

-Europa 6.000 a.C.: Taipa de Mão;

-Civilização Grega: Adobe;

-Cretences: Adobe;

-Líbano e Síria: Taipa de Pilão;

-Gália Celtica: Taipa de Mão;

-Jericó 8.000 anos a.C.: Adobe moldado a mão;

-Índia: Adobe;

-China: Taipa de Pilão;

-América Central Pré Colombiana, 500 a.C.: Adobe e Taipa de Pilão (Pirâmide do Sol);

-México (Pueblos): Adobe;
As técnicas de construção em terra utilizadas no Brasil tem muita influência dos Portugueses. Antes dos portugueses chegarem, os povos tradicionais utilizavam distintas técnicas construtivas, dependendo da região e clima. Desde os buracos de bugre, taipa de mão, construções com madeira e palha etc.

Agradecimentos: Naturalmente Espaço Alternativo

Texto: http://espaconaturalmente.blogspot.com.br/p/bioconstrucao_3697.html

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